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 Histórias de Pesca

   Crónica nº 9

 

A TINTUREIRA QUE NÃO O ERA

A pesca embarcada estava parada desde Fevereiro e as saudades eram mais que muitas.

Após uma aberta no serviço, foi combinada à pressa um investida em Sesimbra para levar um fornecimento de precioso líquido ao nosso comandante Jo, pois o homem estava mais desejoso que mulher grávida, e eu igualmente desejoso de fazer uma pesca embarcada ainda para mais "diferente"....


Pois bem; após um noitada de S. João sem dormir, no dia Santo por volta das 23 da noite aqui o Je, o Ivo Black e o Pisões, lá rumámos ao reencontro de grandes amigos . Chegados ao local, e como o dia de S. João ainda estava a valer, não nos fizemos rogados a uma volta na romaria de Sesimbra, sempre acompanhados de umas feveras e umas minis que por lá se vendiam e que sempre ajudaram a recuperar da ressaca da noitada anterior pelas nobres terras nortenhas...

Por volta das 4 decidimos descansar um pouco no carro e às 6 já tomávamos o pequeno almoço lá pelos lados da marina. Após o embarque e por interdição de uma grande área de navegação devido a exercícios militares, parámos num pesqueiro com uma profundidade de 80 braças (150m). O isco resumia-se a cerca de 20 kg de sardinha... (dá a entender qual seriam os nossos alvos: PARGOS de preferência GRANDESSSSSSSSSSSSS!).

Avisados que estávamos do tipo de pesca a realizar e da paciência que teríamos de ter, por volta das 7.30 ja pescávamos com uma agradável temperatura a rondar os 30ºC e mar com menos ondas que a banheira lá de casa!
Muita aguagem e pouca actividade inicial, deram-nos a ideia de que o dia não seria o melhor para aquele pesqueiro, mas dado a interdiçao militar sabíamos que tinhamos que nos aguentar mais umas horitas...

Com os primeiros exemplares de cantaril a aparecerem, seguidos duns manhosos besugos kileiros, carapaus, e pata-roxas...a aguagem era tal que os empachanços se sucediam a bom ritmo, mesmo pescando com 300 grs de chumbo!!!!

Decidimos tentar pescar um pouco mais perto de terra e alterámos a poitada para a zona das 65 braças... Resultados nenhuns.... Nenhuma aguagem mas igualmente nenhuma activadade do peixe...

Dava meio dia e decide-se afundar novamente... desta vez perto das 85 braças, um pouco mais fora e muito perto do limite da zona interdita à navegação. Era cerca de meio dia, hora de iniciar as hostilidades; toca a preparar os copos, que o alvarinho estava geladinho como tudo e o franguinho assado com molho personalizado criavam um espírito de " Que se lixe a pesca !!!!!". Claro que logo após o almoço regado com alvarinho, com temperaturas a ultrapassar os 35ºc e sem ponta de brisa, era chegada a hora de inventar maneiras de nos refrescarmos...

Assim, uns optaram, estranhamente, por pescar de formas inovadoras: dormir com os pés na água e cana na mão, enquanto outros aterraram dentro da cabine mesmo com as temperaturas tórridas que se faziam sentir (já eram 2 noites em claro para estes artistas)... também uns baldes de gua pelas costas abaixo refrescaram ideias e não só ! Após o descanso dos guerreiros, surgiram, durante cerca de uma hora, os nossos companheiros preferidos, o golfinhos...mais de 30 exemplares que até com os nossos pés vinham brincar.

Começaram entretanto a sair exemplares que já faziam as nossas delícias, pela estreia: uma pescada para o Ivo de kg e outra um pouco maior para mim... Tirar aquilo daquela profundidade ... vai lá vai...

Perto das 14h toca a fazer a última poitada a umas ridiculamente exageradas 93 braças, que, com a aguagem daquela altura faziam com que 200m de multifilamento não chegassem para a pesca tocar no fundo!!!!

Carapau ali e besugo acolá e finalmente aparece o maior exemplar.... A história não é simples mas por incrível que pareça começa em casa....Vamos lá então...

Estava a fazer o meu saco e pela primeira vez na vida de embarcado ao olhar para as minhas luvas de neoprene lembrei-me de as meter no saco para o que desse e viesse (sem saber bem para quê! )... mas, voltando ao barco, estava a baixar a minha pesca juntamente com o Pisões, nesta ultima poitada, e, pela primeira vez a pesca dele lançada primeiro que a minha demorava mais que o normal a chegar ao fundo... o homem começa a ficar sem linha no carreto e a minha pesca começa a trabalhar de forma diferente igualmente na descida....hummmmm... algo não está bem digo-lhe eu, desesperado, pois tinha apenas mais uns 20 m de linha . Começámos então a recuperar em simultâneo e após uns 40 metros, uma pancada em seco sentida pelos 2 e que resulta no multi cortado para ele e numa força brutal na minha cana....Cravei uma tintureira de certeza, pensei... Cortou-te o multi e cravou no meu 6/0...

 

 


Começam de imediato os agoiros, e rebenta essa linha, e o 0,40 não presta para nada, e tu força isso, e tu fecha a embraiagem, e eu nem conseguia mexer-me... o bicho levava linha e voltava a levar e eu só ia trabalhando com a cana e pouco mais... Depois de uns longos 5 minutos começo finalmente a recuperar levando o raio da "tintureira" sempre mais linha do que a que eu recolhia, continuando naturalmente os agoiros pelos sujeitos do costume... Olhei para trás, respirei fundo e "vocês amanhem-se que nem se que seja só pela foto o raio do bicho vem para cima e mais nada!".

E assim foi; lentamente, pois os braços não davam para mais, o raio do peixe lá vinha para cima até que a montagem chega ao barco e peixe népia !!!!! Puxei a montagem para dentro e qual não é o meu espanto: a linha do Pisões estava tão bem empachada que aguentou aquela luta.... bem, pensei, ainda não acabou... se o peixe lá está tem que vir para cima. Peço as luvas do meu saco (há coisas do caraças...) e siga de alar o bicho à mão...foram mais de 90 metros a puxar o bicho à unha e quando espero a "tintureira", já a agarrar no chicote da montagem, o raio do peso afrouxou e fiquei incrédulo a olhar para o mar, vociferando irrepetíveis pragas, quando o "menino" aparece por baixo do barco solto do anzol Não houve tempo para muito, nem mesmo para o xalavar, foi com o bicheiro que estava preparado para a tintureira que um golpe certeiro do comandante fez embarcar o peixe!

Já apanhei muito peixe na minha vida mas este ficará guardado na memória!
Visto que o trabalho foi totalmente de equipa todos tiraram fotos com o exemplar, sendo que me coube a mim degustá-lo, uma vez que fui quem teve a extenuante tarefa de o arrastar desde os 200 m de fundo.

O peso ultrapassou um pouco os 3.6 kgs, o meu maior pargo até hoje.

Terminámos com um jantar entre grandes amigos antes de nos fazermos ao Norte. A troca de oferendas habitual decorreu com a presença sempre indispensável do amigo Bruno.

Foi um dia como há muito não passava, pleno de Fisioterapia, com mais um record batido, duas directas em cima, e um grupo de amigos fantástico. São estes grandes dias que fomentam esta nossa paixão pela pesca.

Um bem haja a todos, em especial aos meus companheiros de viagem e, claro, um muito obrigado ao comandante Jó Pinto pelo dia que nos proporcionou, assim como pelos seus ensinamentos. Até à próxima!!!!!

Pedro Lourenço

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