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COMO INTERPRETAR PARA A SUA ZONA

por Jorge Ponte

Artigo cedido pelo Katembe à  revista "MUNDO DA PESCA" - publicado na edição de Junho de 2010 

Por vezes ouvimos um pescador dizer: “o Windguru previa ondas de 5 metros, mas nem 2 têm”. Daí o pescador conclui que o site consultado errou, e que não terá qualidade nas previsões. As coisas não são bem assim. O Windguru tem,  naturalmente,  algumas falhas, que podem ser ultrapassadas se soubermos interpretar correctamente as suas previsões. É exactamente isso que vou procurar transmitir neste artigo, com base na minha experiência de alguns anos de acompanhamento e observação directa do site, e do estado do mar em diferentes zonas do país, isto para além de alguma pesquisa científica sobre ondas e a respectiva propagação. Antes de se passar a uma análise da página do Windguru, é essencial compreender os fenómenos naturais presentes.

 

1. A geração de ondas no oceano e sua propagação

1.1- Porque há ondas? É a primeira pergunta que se coloca.

As ondas do mar são geradas por depressões cavadas no meio do oceano, que geram ventos muito fortes (tempestades), que “perturbam” a superfície do mar. É similar a uma pessoa atirar uma pedra a um lago (em que a pedra representa a tempestade e o lago o oceano). Verifica-se que as ondas se propagam até atingir a margem do lago (que representa a costa). Naturalmente, quanto maior for a “pedra” (tempestade), maiores as ondas, assim como quanto mais longe da margem a pedra bater na água, mais fracas as ondas chegarão à margem. Só há uma ligeira diferença nesta analogia: no oceano, uma perturbação não gera ondas que se propaguem em todas as direcções de igual modo como uma pedra num lago. Normalmente, no Oceano Atlântico, as depressões propagam-se no sentido Oeste (W)- Este (E). Assim, o cenário mais comum é a formação de depressões no  Atlântico Norte, que se propagam depois para E/SE/NE, atingindo a Costa Europeia.

 

 

 

 

 

 
 

1.2 - Como se comportam as ondas ao chegar a uma costa? As ondas, ao atingirem a costa, vão modelar-se à mesma. Estas serão maiores em locais da costa onde a sua direcção for perpendicular à linha de costa e onde, para lá chegarem, não encontram nenhum obstáculo físico (ilhas, cabos, etc). As ondas têm capacidade para contornar esses obstáculos, mas, quando o fazem, perdem energia, diminuindo a altura. Isso dependerá muito da direcção da ondulação, logo esse será um parâmetro muito importante quando se consulta o Windguru, mas que a maior parte das pessoas despreza. De seguida, explicarei o porquê, numa análise às diversas formas da nossa costa.

 

2. A ondulação na costa portuguesa

2.1 - Costa Norte e Centro (até Cascais)

Esta parte da costa é orientada para Oeste/Noroeste, pelo que  recebe grande parte das ondulações ao longo do ano, sem que estas tenham de contornar qualquer obstáculo físico.

Note-se, no entanto, um encurvamento da costa na zona do Porto, pelo que se a ondulação vier de noroeste é provável que as ondas sejam um pouco menores nesta zona, devido ao facto da linha de costa já não ser tão perpendicular em relação à direcção das ondas.

 

 


 

 

2.2 - Linha do Estoril

A linha do Estoril já se encontra abrigada das ondulações de Noroeste. O Cabo Raso é um obstáculo físico muito importante, e as ondas, para atingirem esta zona, terão de contornar esse obstáculo. Pode concluir-se que quanto menos a norte for a sua direcção maior será a probabilidade de haver ondas. Obviamente, uma ondulação de Sul ou Sudoeste será a que gerará maiores ondas nesta zona.

Poderá, porém, haver ondas grandes, caso a direcção destas seja Oeste ou Noroeste e a ondulação tiver energia suficiente para ultrapassar o Cabo Raso. Por exemplo, uma ondulação de Noroeste com 5 metros terá esse efeito, pois conseguirá contornar o Cabo.
 

 

2.3 - Trafaria - Cabo Espichel

Esta zona é bem mais exposta às ondulações que a linha do Estoril, mas ainda está algo “protegida” pelo Cabo Raso das ondas de noroeste. No entanto, uma ondulação normal (1,5/2 metros) de noroeste, consegue atingir esta zona da costa, embora em menor escala que, por exemplo, as praias de Sintra. De resto, verifica-se que uma ondulação de Oeste entra quase a 100% neste pedaço de costa, podendo haver ondas também numa orientação de sudoeste.
 

 

 

2.4 - Cabo Espichel-Setúbal

Esta é a zona da costa portuguesa onde ao longo do ano se verificam menos de dias ondas significativas. Isso deve-se ao facto de ser totalmente abrigada das ondulações de noroeste, pois estas teriam de contornar o Cabo Espichel, que representa um obstáculo físico de muito maior envergadura do que, por exemplo, o Cabo Raso representa para a linha do Estoril. Nem ondulações nesta direcção muito fortes conseguem chegar em condições, por exemplo, a Sesimbra.
Naturalmente, só haverá ondas nesta costa quando a direcção for de sul ou sudoeste, ou eventualmente um swell de oeste muito forte que tenha energia para contornar o Cabo Espichel.
 

 

2.5 - Setúbal-Sines

Toda esta costa é ainda bastante influenciável pelos dois Cabos já referidos, relativamente às normais ondulações de Noroeste. No entanto, é certo que quanto mais para sul, menor será essa influência. Uma ondulação de oeste ou sudoeste já seria bastante mais produtiva no que respeita a ondas nesta zona. Note-se que grande parte dos pescadores da Costa Vicentina, quando existe uma ondulação forte de Noroeste, deslocam-se para esta zona da costa mais abrigada.
 

 

 

 

2.6 - Sines- Sagres (Costa Vicentina)

Alguns podem perguntar-se porquê que tenho mantido as imagens do mapa desde Sintra. A razão é a importância de se poder verificar a posição dos obstáculos físicos para o Sul. E nesta costa verificamos que, a partir de Sines, a influência dos dois Cabos começa a diminuir nos Swells de Noroeste, sendo essa influência nula a partir da zona de Vila Nova de Mil Fontes. Apenas nas ondulações exactamente direccionadas de Norte (algo raras), os dois Cabos exercerm alguma influência sobre esta parte da costa. Assim, a Costa Vicentina, é, na sua maior parte, totalmente aberta às ondulações.
Verifica-se também um encurvamento na direcção do mar a partir da zona de Odeceixe, que permite que as ondulações de noroeste atinjam a parcela da costa Odeceixe-Sagres com uma direcção mais perpendicular à costa, resultando, portanto, ondas ligeiramente maiores que acima desta zona.

 


 

 

2.7 - Algarve

 

Zona protegida das Ondulações de Noroeste pelo Cabo S. Vicente. Nesta parte da costa é normal aparecer o Suão (vento quente que sopra do sul), que origina ondas de Sueste provenientes do Estreito de Gibraltar. Também pode ser atingida por ondulações de Sudoeste ou Oeste (ondulação mais fraca).

 

 

 

 

 

                                                      continuação (2)

 

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