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OS PEIXES - A BOCA E FORMAS DE ATACAR
O ISCO
A localização da boca e a respectiva dentição estão intimamente
ligados ao tipo de alimentação de cada espécie, pelo que, quando
fazemos uma montagem ou iscamos os nossos anzóis, convém termos
alguma ideia da forma como a nossa espécie alvo se alimenta e
como deverá atacar o isco.

Peixes que "chupam" o isco
Ao atacarem o isco, os peixes da família dos Mugilidae (tainhas,
muges, garrentos), com uma boca virada para a superfície,
sorvem-no delicadamente, com tendência para o cuspir uma ou duas
vezes antes de o reter na boca, pelo que o seu toque é quase
imperceptível.

Peixes que "trincam" o isco
Peixes que andam muitas vezes em cardume, trincam
o isco e afastam-se rapidamente para evitar concorrência, dando
vários toques seguidos antes de ferrarem, como os sargos e
safias (Diplodus sargus e Diplodus vulgaris).

Peixes que "sugam" o isco
Estes peixes da família dos Mullidae (salmonetes),
têm a boca virada para baixo, adaptada para se alimentarem
aspirando as areias do fundo e os "famosos" xarrocos, terríveis
predadores dos fundos. Costumam engolir o isco duma só vez.
Também os peixes planos, como o linguado, solha e
os pregados, por terem a boca na parte inferior do corpo, atacam
o isco engolindo-o de uma só vez, provocando apenas um toque
forte e, normalmente, embuchando.

Peixes que "cospem" o isco
Estão neste grupo os peixes da família Sparidae,
como as douradas. Muito habituadas aos moluscos, que atacam em
duas fases (1º mordem para partir a casca, cospem e só à segunda
é que engolem), o que provoca ligeiros toques na cana a que se
segue um esticão forte quando engolem o isco e se afastam.

Peixes que "beliscam" o isco
Quase sempre os bodiões e outros peixes de boca
pequena, bem como os herbívoros como a salema, que vão
beliscando o isco e só quando este está muito pequeno é que o
engolem.

Peixes que "engolem" o isco
São os grandes predadores, como a corvina, o
robalo, o carapau e a cavala. Com bocas grandes, engolem as
presas à primeira para que não fujam, sendo também, desta forma,
que atacam o isco. O normal é apenas um ataque e um toque bem
forte na cana.
Observações: Tenha
em atenção que as descrições acima nem sempre correspondem à
realidade, pois em muitos casos ocorrem situações diferentes,
por vezes completamente opostas.
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